Com trilhas, serras, cachoeiras e grande parte dos atrativos em áreas naturais, alguns cuidados fazem diferença para quem visita o município durante os meses mais secos do ano

Delfinópolis é conhecida pela diversidade de paisagens naturais e pelas inúmeras possibilidades de turismo de natureza. Cachoeiras, piscinas naturais, serras, trilhas e áreas rurais fazem parte dos principais atrativos do município, que possui mais de 150 opções de cachoeiras distribuídas por seu território, segundo informações da Prefeitura Municipal.
Durante o período seco, especialmente entre agosto e outubro, essa experiência exige alguns cuidados adicionais.
O Instituto Estadual de Florestas de Minas Gerais (IEF) considera justamente os meses de agosto, setembro e outubro como o período de maior criticidade para incêndios florestais no estado, devido à redução das chuvas e ao ressecamento da vegetação.
Isso não significa deixar de aproveitar os atrativos naturais. Significa chegar preparado, respeitar as características do ambiente e evitar comportamentos que possam colocar visitantes, moradores e o próprio Cerrado em risco.
Atenção redobrada com o fogo
No período seco, uma pequena chama pode se transformar rapidamente em um incêndio de grandes proporções.
Por isso, quem circula por estradas rurais, trilhas, cachoeiras e áreas de vegetação deve evitar qualquer comportamento que possa iniciar fogo.
Não acenda fogueiras em locais não autorizados, não descarte pontas de cigarro na vegetação ou às margens das estradas e nunca abandone materiais que possam provocar combustão.
Dentro do Parque Nacional da Serra da Canastra, as regras são ainda mais específicas: não é permitido acender fogueiras, utilizar fogareiros ou realizar atividades potencialmente lesivas ao meio ambiente. O visitante também deve permanecer nas estradas e trilhas destinadas à visitação.
Ao perceber um incêndio em vegetação, a orientação é não tentar enfrentar as chamas por conta própria. Afaste-se para um local seguro e acione o Corpo de Bombeiros pelo 193.
Água deve fazer parte do planejamento
Trilhas que parecem curtas podem exigir mais esforço quando realizadas sob sol forte e com baixa umidade.
Por isso, água não deve ser tratada como um item opcional. Antes de sair, considere a duração do passeio, o número de pessoas e o tempo que será necessário até retornar a um ponto de apoio.
Também são recomendados:
- garrafa ou reservatório com água suficiente;
- protetor solar;
- repelente;
- chapéu ou boné;
- roupas adequadas à atividade;
- calçado firme e apropriado para trilhas;
- alimentação ou lanche para percursos mais longos;
- medicamentos de uso pessoal, quando necessários.
Em roteiros mais extensos, vale ainda evitar depender exclusivamente do celular para orientação. Tenha previamente as informações sobre o percurso, destino e retorno.
Cachoeira também exige cuidado
A redução das chuvas não elimina os riscos existentes em rios e cachoeiras.
Pedras molhadas podem ser escorregadias, poços podem apresentar profundidades diferentes e determinadas áreas dos atrativos podem ter circulação restrita.
Evite saltar em locais cuja profundidade não seja conhecida, caminhar próximo a quedas d’água fora das áreas indicadas ou entrar em trechos sinalizados como impróprios.
Crianças devem permanecer sempre acompanhadas por um responsável.
Também é importante seguir as orientações fornecidas pelos responsáveis de cada atrativo. Muitas das cachoeiras de Delfinópolis estão localizadas em propriedades particulares e possuem regras próprias de visitação.
Vai fazer uma trilha que não conhece? Planejamento faz diferença
Delfinópolis possui trilhas com diferentes níveis de dificuldade, incluindo percursos curtos e outros que atravessam serras e regiões mais isoladas.
Antes de sair, procure saber:
- distância total do percurso;
- nível de dificuldade;
- tempo médio necessário;
- tipo de veículo indicado para chegar ao local;
- horário de funcionamento do atrativo;
- existência de cobrança ou necessidade de agendamento;
- condições de acesso;
- e se o trajeto é adequado à experiência do grupo.
Não é recomendável escolher uma trilha apenas pelas fotografias encontradas na internet. Distância, relevo e condições de acesso também devem ser considerados.
Condutores podem tornar o passeio mais seguro
Quem está conhecendo a região pela primeira vez ou pretende fazer roteiros mais longos e menos conhecidos pode optar pela contratação de um condutor local.
O próprio ICMBio informa que a contratação de condutores não é obrigatória nas atividades do Parque Nacional da Serra da Canastra, mas é recomendada devido aos riscos inerentes às atividades de lazer realizadas em ambientes naturais.
Em Delfinópolis, a Associação Nativos da Canastra reúne guias credenciados e oferece diferentes possibilidades de trilhas e roteiros. O visitante pode consultar os profissionais e organizar o passeio diretamente pelo site www.nativosdacanastra.org.
Prepare também o veículo
Boa parte dos atrativos de Delfinópolis está localizada na zona rural.
Antes de sair para um passeio mais distante, vale conferir combustível, pneus, estepe e condições gerais do veículo.
Também é recomendável descobrir antecipadamente qual é o tipo de acesso ao atrativo e evitar improvisar caminhos desconhecidos.
Aplicativos de localização são úteis, mas não devem substituir informações locais quando o destino estiver em uma área rural ou em um percurso pouco conhecido.
Respeite os limites do ambiente
Turismo responsável não termina quando o visitante chega à cachoeira.
Todo resíduo levado para uma área natural deve voltar com o visitante quando não houver local adequado para descarte.
No Parque Nacional da Serra da Canastra, por exemplo, o visitante é responsável pelo recolhimento e destinação do próprio lixo. Também são proibidas a retirada de plantas, animais e rochas, assim como alimentar ou perseguir animais silvestres.
O mesmo princípio pode ser levado para qualquer passeio: o lugar deve permanecer depois da visita nas mesmas condições — ou melhores — do que estava antes dela.
Período seco também revela outra paisagem de Delfinópolis
Visitar Delfinópolis nos meses secos proporciona uma experiência diferente daquela encontrada durante o período de chuvas.
O planejamento, porém, deve fazer parte do passeio tanto quanto a escolha da cachoeira ou da trilha.
Levar água, conhecer o trajeto antes de sair, respeitar propriedades e áreas protegidas, evitar qualquer uso indevido do fogo e buscar orientação quando necessário são atitudes simples que ajudam a proteger o visitante e um dos maiores patrimônios de Delfinópolis: sua natureza.
Quem chega preparado aproveita melhor o destino e também contribui para que as serras, rios, cachoeiras e paisagens do município continuem preservados para quem vive aqui e para quem ainda virá conhecer.
Fontes
Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio) — Parque Nacional da Serra da Canastra
Instituto Estadual de Florestas de Minas Gerais (IEF) — Programa Previncêndio
Prefeitura Municipal de Delfinópolis — informações turísticas e biodiversidade
Associação Nativos da Canastra